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Sábado, Novembro 27, 2004
STRETTO * Trazidos para o campo com a marca que não engana. Grama, escrita-espalhada. As pedras, brancas, com as sombras dos talos: Não leias mais - vê! Não vejas mais - vai! Vai, tua hora não tem irmãs, estás - estás em casa. uma roda, lentamente, roda para fora de si mesma, os raios escalam escalam por campo enegrecido, a noite não precisa de estrelas, em lugar algum perguntam por ti. * (poema de Paul Celan, tradução de Cláudia Cavalcanti) COISA DE GURI Escrever sobre poesia é encher laudas e laudas - ou simplesmente escutar o silêncio. Há muito que dizer - pena que tão pouco se comprova. Poesia é algo etéreo, muitas vezes distante da palavra. Poesia é a catástrofe andante dos nossos passos pelo mundo. E esse nódulo no escuro de cada um. E Poeta não se define. Se resume! Porra! SOBRE O QUE SE DIZ Não vivo a clamar posições e princípios. Digo apenas o que me parece óbvio: ou pensamos e transformamos a sociedade ou uma sociedade impensável nos transformará em ratos. Distintos são os que compreendem o óbvio! Nenhum pé sobre o pescoço. Todas as cabeças devidamente municiadas... eis o tributo da Liberdade! FALANDO SOZINHO Todos temos a impressão, às vezes, que estamos falando sozinhos. E estamos. É quando não devemos mesmo calar. VALE A VISITA Conheça o blog de Gerald Thomas. Será que eu li o que eu li? Depois releio e comento aqui. DEUS fingiu que estava criando o mundo trabalhou seis dias oito horas em dois turnos salário de cento e oitenta pregos ornamentou noites criou nuvens e ventos do barro fez a criatura num sopro o inventário das paisagens uma vez pronta a maquete exonerou-se e ficou mudo hoje dies dominicu reaparece com trezentas mil faces midiáticas (dizem que vive em tudo) (poema do meu terceiro livro: Sem meias palavras (Ed. Idéia-PB, 2002). comente: Quarta-feira, Novembro 24, 2004
Política editorial - manual de convivência Um amigo, poeta nacionalmente conhecido, disse que eu precisava publicar por uma editora do eixo (Rio/Sampa). Fiquei, pensando: sim, mas... e daí? O que eu preciso fazer? Comprar um projeto editorial com distribuição nacional, como tantos fazem? Eu não, brother! Não faria isso, mesmo que tivesse grana. Me basta publicar livros da forma como publico e ter um blog lido por algumas pessoas legais, inteligentes e sensíveis, carinhosas, alguns amigos poetas... Tá massa? Tenho o mais alto grau de desprezo pelos brevês de poeta que são distribuídos por amplos setores da nossa queridíssima e midiática crítica. Minha tara é a poesia, mano! E ponto. Por isso, todo dia tento... sempre perco, mas não desisto. O universo que me cerca é o universo que me basta, pois é como tudo: um pedaço do infinito e por si só, infinito. O desafio do poeta não é ser reconhecido pelo departamento de marketing das basílicas-literárias. O poeta - penso eu - é o cara que incita o caos, de onde retira os restos de sucata da existência, para com eles voar pelas palavras (ou mesmo sem elas) e dizer que são importantes as coisas das quais, muitas vezes, nos despimos. Política editoral - Enfim, desinventar-se... O meu primeiro livro foi bancado com uma grana que recebi de presente do meu irmão, na época alto funcionário da estatal EBCT. O comício das veias (Ed. Idéia-PB, 1998). Acho que publiquei ancorado numa bobagem apaixonada. Foi aos trinta e seis anos, também, que o poeta Mário Quintana publicou seu primeiro livro. Imagine, eu não tive motivos! Não sei ainda porque publiquei. E nem por isso me arrependo. Vezenquando, até coloco alguns dos poemas dessa época por aqui. Política editorial - seguir em frente Lembro que "O Guardador de Sorrisos" (Ed. Trema, 1998) financiei com uma gratificação extra que ganhei no trabalho. Foi muito barato! Muito mesmo. Uma edição de bolso, semi-artesanal. A editora era uma idéia de Antônio Mariano (Trema), poeta dos bons e amigo do peito. No conselho editorial, André Ricardo Aguiar e José Caetano. O que vendi no lançamento deu para cobrir os custos. (Portanto, a poesia me pediu dinheiro emprestado e pagou em dia.) O Sem meias palavras (Ed. Idéia, 2002) foi financiado com o direito autoral que recebo da Editora Tribo (ou seja: também pela poesia), onde tenho publicado poemas nos últimos anos. Agora, torço por mim mesmo para ser premiado no FestCampos de Poesia Falada. A grana seria usada para a edição do próximo livro, Texto Sentido, que já está ficando pronto novamente. Também uma edição simples, de circulação apenas municipal e em alguns rincões, graças a internet. Política editorial - próximos passos Bem... esta é a política editorial que levo para o travesseiro. Escrevo com exclusividade para o blog Poesia Sim e para uma lista de poucos e queridos amigos. Enfim, o blog é a minha oficina tipo ferida exposta. Aqui, é impossível viver com maquiagens. No blog só há espaço para extrair de mim o réu confesso. E ao mesmo tempo tudo é espanto! Por isso, abaixo, leia os poemas classificados no FestCampos, com a anatomia um pouco alterada devido à incapacidade de formatação do editor do blogger. Enfim, fim! Se vc chegou até aqui, certamente vai seguir em frente. bobo da corte o que sinto nesses quarenta e seis vértices ungidos e que ora espetam ora aguçam os sentidos é que cada momento vai roendo os ossos e a dormência do impossível tomando conta de tudo que é a b s o l u t o o que comove nesses anos cumpridos entre verdades amargas e doces mentiras é que apesar de tudo ainda pude semear as sobras da minha inquietude poemas derramados espalhados no tabuleiro do que tanta vez provoca o asco afirmativo da existência o que colhi entrementes nem sempre foi da melhor safra mas ainda estou aqui escrevendo versos ligeiramente aptos às consagrações do esquecimento o vazio dos olhares atônitos já não apavora o medo há muito perdeu o sentido ouço o ruído das horas passando ao largo de uma vida que se cumpre para muito além das paisagens guardadas na retina e sorrio como se fossem oráculos os galhos do cajueiro que vejo pela porta entreaberta sob o mantra estridente dos sagüis que resistem nos esgares da mata do outro lado da rua habito meu silêncio e ouço atentamente a imensidão e a quietude de tudo que grita e se move o que está posto é muito mais do que posso por isso sigo em frente derrubando os muros que possam afastar as matilhas da ternura as águas que passaram neste rio jamais ficaram turvas por isso não me curvo e vou indo vou rindo de tudo embriagado com minha própria sede como um homem que transita pela consciência dos caminhos jamais percorridos vou passando passeando pelo mundo as flores mallarmaicas queria num poema oferecer flores um jeito lógico de não arrancá-las da placidez silvestre ! como as flores da adivinha mallarmaica ¿que nunca estão no buquê¿ e cujo aroma experimentamos nas planícies viageiras do significado a palavra pétala entre húmus e caules de linguagem embriagando a dor extraída deste pólen com o qual enlouqueço as abelhas africanas do esquecimento mas tudo que tenho são essas mãos vazias e uma paixão petrarquiana de insuportável hálito modernista comente: SANT'ANTONIETA DE CRUZ DAS ARMAS Carlos Aranha minha orquestradoquerestadememória não está bem datada esqueço noites como quem esquece chuvas guardadas me falta a retroprofecia de sacar do eletrencefalograma quando fiz o último poema (o relógio do lyceu bate de 15 em 15 minutos e não dá pra marcar a pulsação dos hiperséculos) pus cinco dedos canhotos no violão e o tesão foi um dó com sétima e nota diminuta e alguém que não sabe de filosofia disse que não sei fazer música (a não ser que eu cometa um crime por trás da pedra do ingá e monte a versão roqueira 2 d¿aparentes besteiras) ainda bem que existe blog pra publicar algo parecido com um poema (os editores não cheiram perfume de best-seller desde que me faltou a sensação de jornalista e mandei pra putaquepariu a tentação de corporativista) SANT'ANTONIETA DE CRUZ DAS ARMAS me proteja enquanto consigo ser um rapaz de 58 anos comuns e encontrar um blog na web em que eu possa aparentar o que me resta de parapsicopoesia. comente: Terça-feira, Novembro 23, 2004
Jornal O Norte Abro o Jornal O Norte hoje e me deparo com a notícia da classificação de dois poemas meus no Fest Campos de Poesia Falada. O Jornal diz que sou o único paraibano. Não, o gaúcho aqui não é o único paraibano. O paraibano do Ceará, Carlos Gildemar Pontes também teve um poema classificado. O jornal indica que existem informações a respeito aqui no blog. Não, não existiam. Mas estou colocando agora. Vale lembrar que a primeira edição do festival foi vencida pelo, este sim, paraibano Sérgio de Castro Pinto. No ano passado tirei o quinto lugar. O prêmio, deu para consertar meu computador e o meu carro velho. Este ano, torço para vencer. A grana possibilitaria uma edição do, ainda inédito, "Texto Sentido" Deu em O Norte, de hoje Dois poemas Os versos classificadas de Lau Lau Siqueira é o único representante da Paraíba nas semifinais do FestCampos O poeta radicado na Paraíba Lau Siqueira foi o único representante do Estado classificado para as semifinais do FestCampos de Poesia Falada, com dois trabalhos: Bobo da Corte e As Flores Mallarmaicas. O festival acontece no Palácio da Cultura, em Campos, RJ. Mais informações no www.lausiqueira.blogger.com.br. Confira a lista dos poemas e poetas selecionados: 1. Panis et Circense - Antônio Roberto Góis Cavalcanti - Campos.RJ 2. Simbiótica - Antônio Roberto Góis Cavalcanti - Campos.RJ 3. Bebo a Cidade - José Geraldo Neres - Santo André.SP 4. Desáfrica - Lúcia Regina Borges Ferreira - Rio de Janeiro. RJ 5. Botando pra Fora - Gustavo Landim Soffiati - Campos. RJ 6. Guerra Coagulada - Manuela Siqueira - Campos. RJ 7. Tempestade - José Geraldo Neres - Santo André.SP 8. Marco - Delayne Brasil - Rio de Janeiro. RJ 9. Entre Deuses e Pernas - Adriana Medeiros - Campos. RJ 10. Elo Perdido - Adriana Medeiros - Campos. RJ 11. Cazuzismo - Ricardo Luiz Thomé - Rio de Janeiro. RJ 12. Cozido - Elvé Monteiro de Castro - Rio de Janeiro. RJ 13. Mar Aberto - Fernanda Huguenin - Campos. RJ 14. Preamar - Helena Ortiz - Rio de Janeiro. RJ 15. Diagnóstico - Helena Ortiz - Rio de Janeiro. RJ 16. Noturno - Helena Ortiz - Rio de Janeiro. RJ 17. Amazoníades - Mano Melo - Rio de Janeiro. RJ 18. Ode à Tropicália - Laura Esteves - Rio de Janeiro. RJ 19. Labirintos - Emanuel Medeiros - Brasília.DF 20. Bobo da Corte - Lau Siqueira - João Pessoa.PB 21. O Ladrilho - Tércia Montenegro - Fortaleza.CE 22. Os Búfalos - Márcio David da Cruz - Curitiba.PR 23. Ele Bebe Toró - Luciano Carvalho - São Paulo.SP 24. O Milagre do Pão - Sérgio Augusto Bastos - Rio de Janeiro. RJ 25. Minotauro - Luciano Carvalho - São Paulo.SP 26. Poética - Igor Fagundes - Rio de Janeiro. RJ 27. Por Um Gêneses do Horizonte - Igor Fagundes - Rio de Janeiro. RJ 28. Certas Respostas - Tanussi Cardoso - Rio de Janeiro. RJ 29. Essa Terra, Essa Gente - Hélio Coelho - Campos. RJ 30. Páginas de Diário - Flávia Savary - Teresópolis. RJ 31. Poema I - Neuaci da Silva Paiva - Dianópolis-.TO 32. Poema II - Neuaci da Silva Paiva - Dianópolis.TO 33. Estado de Guerra - Flávio Machado - Rio de Janeiro. RJ 34. As Árvores de Pedra - Luiz de Moura Azevedo - São Paulo.SP 35. Herdeiros de Ícaro - Ângela Cristina Guimarães - Rio de Janeiro. RJ 36. Ciuminho Básico - Ana Elisa Ribeiro - Belo Horizonte.MG 37. Líquida - Ângela Cristina Guimarães - Rio de Janeiro. RJ 38. Meninos São Meninos - Carlos Gildemar Pontes - João Pessoa.PB 39. O Boi Domingos Pellegrini Jr. - Londrina.PR 40. Carretel Laranja - Marianna Cersosimo - Rio de Janeiro. RJ 41. Poema sem título - Marianna Cersosimo - Rio de Janeiro. RJ 42. Lagos Imaginários - Fabiano Calixto - Santo André.SP 43. Faz Frio Ou Rua da Saudade - Fabiano Calixto - Santo André.SP 44. Ave Marias - Paulo Barbosa Alves - Campos. RJ 45. Oceano de Lágrimas - Rodolfo Muanis - Rio de Janeiro. RJ 46. Paixão sobre o Arame na pedra da Baía - Rodolfo Muanis - Rio de Janeiro. RJ 47. Angústia - Rodolfo Munais - Rio de Janeiro. RJ 48. Louco de Pedra - Silvio Ribeiro de Castro - Rio de Janeiro. RJ 49. Quando o Amor Acaba - Silvio Ribeiro de Castro - Rio de Janeiro. RJ 50. Ao hóspede do hospício - Juliete Oliveria - Dianópolis.TO 51. Um Redemoinho Trama com o Destino - Juliete Oliveira - Dianópolis.TO 52. As Flores Mallarmaicas - Lau Siqueira - João Pessoa.PB 53. Amansadores de Ventos - Carlos Augusto da Luz - Foz do Iguaçu.PR 54. Em Memória da Estrada - Marcus Vinicius Quiroga - Rio de Janeiro. RJ 55. O Tênue Fio do Tempo - Tanussi Cardoso - Rio de Janeiro. RJ 56. Estudo Para aleijadinho - Marcus Vinicius Quiroga - Rio de Janeiro. RJ 57. Bestas Metáforas - Rosa Born - Rio de Janeiro. RJ 58. Carta de suicídio da menina do 19 andar - Diana de Hollanda - Rio de Janeiro. RJ 59. Poema de Um Qualquer - Diana de Hollanda - Rio de Janeiro. RJ 60. Recheio - Delayne Brasil - Rio de Janeiro. RJ. Sobre o FestCampos, leia aqui Parede Poética Começa hoje o Festival de Teatro Comunitário do SESC. No SESC-Centro, em João Pessoa. Na oportunidade, estarei participando de uma parede poética, organizada pelo setor de cultura daquela instituição. De bus no Portinho Outra novidade boa é que eu e minha amiga, poeta pernambucada das melhores, Márcia Maia, estaremos circulando nos ônibus e metrôs de Porto Alegre em 2005. Quer dizer... nossos poemas estarão. Márcia e Tonico Márcia Maia e o poeta potiguar Antoniel Campos, não tiveram suas mensagens selecionadas no post anteior por serem ó com cu (não sei como se escreve...). Entre parênteses (quá-quá-quá). Márcia e Tonico estão entre os meus amigos mais queridos e entre os poetas que mais admiro. Encontros de interrogação Começa hoje os Encontros de Interrogação, organizado pelo Itaú Cultural. A Paraíba estará representada por André Ricardo Aguiar, Antônio Mariano, Amador Ribeiro Neto e Linaldo Guedes. Fui convidado para participar de uma mesa com Glauco Mattoso, Sebastião Nunes e Antônio Mariano, mas... infelizmente, problemas particupares me impediram de viajar. Confira a programação. Mr. Ego Meu ego está embriagado, hoje. Prometo que hoej não falo mais nada acerca desse cidadão maravilhoso: eu. (Cruzes, vou ter coragem de postar uma bobagem deste tamanho?) Vou. Ainda defendo a tese da importância da abobrinha na produção poética contemporânea. comente: Domingo, Novembro 21, 2004
COMENTÁRIOS: que bom que vc veio! :) O post deste final de domingo, é uma homenagem aos frequentadores do blog Poesia Sim. Aqui estão alguns comentários colhidos aleatoriamente... Quinta-feira, Novembro 11, 2004 Signo... veio a mim no momento em que voltei a escrever. Simples e profundo, fez-me ver a poesia voando pelo meu quarto e saí catando o que pude... André Fernandes | 15-11-2004 19:43:24 Sábado, Novembro 20, 2004 lau. os restos de sal resistem. navegam no pé do dente. abraços mario cezar | 20-11-2004 23:29:01 Sexta-feira, Novembro 12, 2004 "Duas palavras" para vc. Seu poema diz que o que "é secreto não emerge". Acredito. Mas, essa tentativa de fazê-lo "emergir" , no seu próprio movimento interior, cria textos como este...que vc "diz" aqui e que eu leio agora. Como leio tantos outros...seus. Como fala Drummond, a respeito do verso "que não quer sair"...a poesia deste momento inunda a ( minha) vida inteira"! O que disse acima: _ que é mais forte que vc_ deve ser a busca da única forma que dará conta de informá-lo sobre seu ser: a linguagem. Receba meu abraço. Dora | Email | Homepage | 14-11-2004 21:28:45 Terça-feira, Novembro 09, 2004 Cara, você tem sido muito produtivo... Lektor | Homepage | 10-11-2004 01:11:23 Quarta-feira, Novembro 03, 2004 ...alguém disse e escreveu que os "poetas são impudicos para com suas experiências...pq as exploram"... - escrevendo sobre elas. Se isso é verdade...rs, vc é um dos mais belos poetas sem pudor que tenho conhecimento! um beijãoooooo. Fátima Fátima Pessoa | Email | Homepage | 06-11-2004 18:28:10 Domingo, Outubro 24, 2004 foi o melhor "tome poesia" da história. Pela sinceridade, honestidade com que vocês expuseram suas verdades. Percorre sempre o espírito de pergunta da serpente que quer se matar com o próprio veneno mas não alcança o rabo. Abraço papai lau astier | 25-10-2004 11:32:19 Terça-feira, Outubro 26, 2004 adoro quando tu assina (ls) :) beijos, papi! nana | 27-10-2004 13:25:56 Palavras, palavras, palavras. De que serve a palavra falada ao surdo-mudo? De que serve a palavra escrita ao cego? Um beijo vale mais que tudo. Um prato de comida, um afago, um prego. Crítico de Blogs | Email | 26-10-2004 08:59:13 Sábado, Janeiro 31, 2004 Songs of life. Quando nasce un bagliore di quiete,nei pianti di un roseo tramonto dipinto al barlume di una tenera sera,mi volgo spossato a membrare un amore,e m¿invento un sorriso,al suono lontano di un ricordo morente e dal sapor terreno. E rimango nel chiaro rinascente nel suon di quel sole piangente,e membro il passato,che siede silente nel fior della sera. E fuggo nel sole,di quel magico canto. Francesco Sinibaldi | Email | Homepage | 31-01-2004 14:33:10 Sexta-feira, Janeiro 16, 2004 sou aluno do sérgio na universidade (talvez mau aluno), gosto de sua poesia, apesar do pouco contato que tive com ela. Mas, me surpreende o fato dessa sua citação de que a poesia "Tem quer ser bonita, tem que ter imagens e metáforas". Sérgio de Castro Pinto tem uma poética original, regrada de engenhos com a linguagem, e de certo, imagens e metáforas. Acho, no entanto, que a poesia 1) não precisa ser bonita (teoria do medalhão) 2) precisa ter imagens e metáforas? Caro Lau, parece um pouco anacrônica tal opinião, principalmente vindo dum poeta do nível inventivo do Sérgio. Poesia é diagramação da palavra. Poesia é linguagem que subsiste e sobrevive no caos, é casco de letras "carregada de significado até o máximo grau possível" (clichê incompreendido). Mas talvez eu tenho entendido errado, mas vá lá. Quanto ao Arnaldo Antunes, não vejo em nenhum poeta visual contemporâneo (que já li, e lógico, fora Augusto de Campos) com tanto substância e universalidade como vejo na poética de Arnaldo Antunes. daniel sampaio | Email | 20-01-2004 10:31:20 Bacana esse teu rolé cultural; é uma boa forma de divulgação do que anda acontecendo por aí, até mesmo pra quem tá de longe. E a boa crítca quanto à divulgação, organização e participação local acho que ilustra bem o que postaste há alguns dias, no texto "A mídia somos nós". Tá mais do que na hora de quem faz e é poesia repensar posturas. Beijos. Isabella | 16-01-2004 17:18:23 comente: Sábado, Novembro 20, 2004
TRÊS POEMAS Os três poemas abaixo estarão compondo a Parede Poética do SESC-CENTRO (João Pessoa-PB), entre os dias 23 e 26 de novembro próximo, durante o Festival de Teatro Comunitário. "Conluio" é um poema do livro O guardador de sorrisos e "Grafitti" e "A pele do motivo", são poemas do livro Sem meias palavras. conluio a morte é um passo absurdo junta os pés de todo mundo grafitte morrer é quase um imprevisto morro sempre quando penso que não existo a pele do motivo a visão nua das tuas omoplatas tão iguais a tantas esconde alguns rebanhos da minha tristeza comente: Quarta-feira, Novembro 17, 2004
áries nos sulcos da manhã que me veste vou comungando com as folhas das árvores respirando cada orvalho no sumidouro da mata vou pelos atalhos mais seguros vou mitigando entre pedras trôpego às vezes nos sulcos da manhã que me veste vou comungando com as folhas das árvores respirando cada orvalho no sumidouro da mata (ls) FENART Li no portal WS Com que a vice-presidente da Fundação Espaço Cultural e irmã do Governador, Glauce Cunha Lima, declarou que o orçamento do X Festival Nacional de Artes foi de R$ 800 mil. Estranhamente a notícia (que cheguei a enviar para alguns amigos) foi retirada dos arquivos do portal. VEJAMOS Acho demais que um dos estados mais pobres da Federação se dê ao luxo de gastar uma soma exorbitante em um evento que dura apenas dez dias e depois passe o ano inteiro praticamente sem atividades culturais. QUANTIDADE Também questiono que continuem trazendo para festivais de arte, bandas couver (medíocres) como a que tocou ontem a noite e atrações que deveriam ser exclusivas de shows de produção privada, como Paralamas do Sucesso. Os festivais de arte deveriam fazer uma leitura mais atenta da cena contemporânea. MANHÃ, TARDE, NOITE A programação amontoada literalmente, manhã, tarde e noite parece revelar um grande desejo dos coordenadores do FENART de ¿mostrar serviço¿. A programação de Literatura ficou, praticamente, inviabilizada para quem tem compromisso com trabalho ou faculdade pela manhã. POR EXEMPLO A palestra do grande poeta baiano, Ruy Espinheira Filho sobre a cena literária no norte-nordeste. ELOGIO Depois das reclamações, preciso elogiar a volta da literatura ao FENART. E em grande estilo, com Ruy, Amador Ribeiro Neto, Sérgio de Castro Pinto e o poeta mediano, Marco Luchesi. Também voltou a Feira do Livro. Que bom! MARCO LUCHESI É apenas mais um exemplo de que um intelectual brilhante não é, necessariamente, um poeta brilhante. Ele estará no projeto Tome Poesia, nesta quarta-feira, juntamente com W.S. Solha. CARPINEJAR O poeta Fabrício Carpinejar é o novo secretário de cultura do município de São Leopoldo-RS. AI 6 Caramba, tem gente monitorando blog. comente: Sexta-feira, Novembro 12, 2004
Esse papo já ta qualquer coisa Sobre o que é que me impulsiona a escrever poemas? Sei lá! Isso é mais forte que eu. Tanto que não consigo não escrever. No máximo, mergulho nas conturbações, nas esquivas no pensamento. Coisa de quem prefere ir em frente, sem saber para onde. Escrevo como uma criança que tateia, insiste em por os passos em ordem no aprendizado de caminhar. Escrevo atento ao universo e ao invisível, onde as palavras viram riscos, traços - apogeu não-linear da existência - onde há bares na esquina, operários no meio da rua e linguagem... lin...gua gua gua...gem. Rainer Maria Rilke Gosto da forma como Rainer Maria Rilke escreve e teoriza a poesia. No livro ¿Cartas a um jovem poeta¿, ele diz com todas as letras ao jovem Franz xaver Kappus que pedia um brevê de poeta: ¿Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra sempre pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte ¿ seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa... efêmera¿. Poesia é...? Por essa porta aberta no escuro da noite infinita que trespassa os séculos, eu digo: Poesia é enigma. Nada que se diga a respeito caberá na exatidão porque a poesia não é, com tentam alguns, uma ciência exata. Poesia é esse sem fim dos dedos espalhados sobre as teclas, catando letras, sílabas, palarvas, versos... tudo assim como que em seqüência. E tudo tem seqüência. Tudo está antes e depois de algo. Mesmo a palavra quando meio de poema, onde é também início e fim. duas palavras não basta dilatar as pupilas para não ver que o que é secreto não emerge não basta pensar o poema como se fosse um crime escrever tal e qual um índio nu e analfabeto sentado diante da sala assistindo clips na mtv é certo que temos algumas certezas - fugidias certezas que escoltam meus passos pelo mundo é certo que estão minguando minhas manhãs e que minhas noites têm explodido em coragens diluídas como um tremular de águas quando há pedra jogada no açude lau siqueira (poema escrito ontem) Literatura no FENART Critiquei duramente a ausência da Literatura nos festivais de arte da Paraíba. Não fui ouvido, mas fui atendido. Hoje começa o Festival Nacional de Arte e, desta vez, temos escritores como Amador Ribeiro Neto, Hildeberto Barbosa, Sérgio de Castro Pinto e Ruy Espinheira Filho na programação. Também voltou a feira de livros que, não sei porque chongas, vai rolar no mezanino 2, próximo ao teatro Paulo Pontes. Enfim, por pior que seja sempre é bom um festival de artes. Paralamas Bandas consagradíssimas, como o Paralamas do Sucesso, a meu ver não deveriam ter lugar num festival como o Fenart. Além de consumirem boa parte dos recursos, revelam o lado populista da programação. Os Festivais de arte tipo FENART, deveriam servir para uma conexão com a cena contemporânea, trazendo grupos emergentes e, cá pra nós... não curto no Paralamas além de uma única música. Mas... o povo aqui é bairrista. Tem o Herbert Vianna... enfim, minha filha vai, diz que gosta... aquilo lá vai ficar um inferno, com gente saindo pelo ladrão. Espero que se preocupem com a segurança do local, uma vez que já denunciaram problemas na estrutura armada do Espaço Cultural José Lins do Rego. comente: Quinta-feira, Novembro 11, 2004
Violar-se Há um único método, penso, para quem deseja superar seus gestos esteticamente incestuosos: violar. Violar o próprio gesto. Extrapolar o engenho da existência. Cruzar os séculos, como Homero, como Dante... como se tudo tivesse sido ontem. E como se eles não existissem. Nem eu. Dedo Dada Meus dedos sabem mais de mim que minha memória inteira. Eles teclam e arrancam frases, versos, sílabas que eu mesmo desconheço. Meus dedos consomem o rosto que me resta, sem espelhos... ............sem meadas de um riso escarrado na boca da noite... Escrever é como pegar palavras num saco disponibilizando-as diante da própria perplexidade. Buscar o sentido híbrido das coisas. A dimensão sempre inexata dos signos... esses cachorros selvagens que me perseguem... esses... esses... Circo íntimo Um blog, da maneira como parece um circo, tem sempre um equilibrista caminhando a passos largos no fio da navalha. Nenhum sangue nos pés calejados, recoberto pela espessura dos milênios. Um blog é a eterna demência dos que restauram os muros, apenas, e dormem no quintal do habitat invadido. anonimal não o nome mas o homem vastidão y nada não o homem mas o clone nomem signonimal animal anônimo signo a cadeira onde sento para escrever poemas sequer suspeita da trama conceitual que envolve sua existência a pele do motivo a visão nua das tuas omoplatas tão iguais a tantas esconde alguns rebanhos da minha tristeza (do meu livro, Sem meias palavras. Ed.Idéia-PB, 2002) comente: Terça-feira, Novembro 09, 2004
De lírios & limbos São ímpares esses manjares da madrugada! Luz da lua lá fora. Barulho da manga caindo do pé. A busca do verso. O chororô de Gabriela, provavelmente inconformada com a insônia do avô. E um exemplar de uma Antologia de Poesia Expressionista Alemã sobre o monitor. Tudo, entre o silêncio e o ruído... A sentença Num velho livro topei com uma palavra Que me veio como um golpe e ainda arde em brasa: E quando me entrego a um turvo prazer Proferindo brilho, mentira e jogo em vez do puro ser, Quando acho melhor com supérfluos me enganar, Como se fosse claro o escuro, como se a vida não tivesse milhares [ de portas a fechar, E repito palavras cuja amplidão nunca senti, E toco em coisas cujo sentido jamais resolvi, Quando um sonho bem-vindo me acaricia com mãos de veludo Aliviando-me do cotidiano, sobretudo, Longe do mundo, alheio ao mais profundo eu, Então se ergue em mim a palavra: Homem, procura o teu apogeu! (Ernst Stadler, 1883/1914 - Tradução: Cláudia Cavalcanti) Muita gente no Parahyba Café Fiquei devendo um comentário acerca da 17ª edição do projeto Tome Poesia. Eu e Amador nos bicamos o tempo todo. Temos concepções distintas acerca da metalurgia poética. Amador diz que poesia é suor cerebral. E daí, brother? Décio Pignatari diz que o poema é uma aventura planejada. Mas, eu digo que não! E que, maiakoviquianamente, sou todo coração... Mas... caralho, tenho dúvidas! Doce guerrilha Brigamos por nossas idéias, mas admiramos um ao outro como poetas. Nos queremos bem como amigos. Nada, portanto, respingou em nada. Nenhuma mágoa. Nenhuma vaidade ferida. Eu respondia perguntas do público e Amador, antes de responder a sua, replicava minha resposta. Em contrapartida, eu reforçava nos meus depoimentos, pontos que, eu sei, ele não acredita. Afinal, como diz o meu também amigo querido Walter Galvão, é provocando que a gente se entende. Amador pirou O debate do Tome Poesia ainda deixou farelos que acabaram escorrendo pelos nossos e-mails. Então, Amador - corajoso e honesto que só o cão chupando manga - decidiu discutir o e-mail que transcrevo abaixo, com os seus alunos do curso de Letras da UFPB. Se vai para a sala de aula, então vai pro blog: O dito cujo Eu compreendo você, meu amigo. É racional seu modo de pensar. Você é um poeta da razão. Eu, sou um poeta do delírio. Seus poemas são pensados. Os meus, são içados do buraco negro da memória. O meu modo de pensar a poesia é um mergulho no vão, no oco. O seu é um mergulho na história da Literatura, nas teorias. Vc é um dos caras mais eruditos que eu conheço. Feliz ou infelizmente, a academia te fez assim. E eu, erudito pelo não dito. Vc pode até achar quixotesco dizer e pensar assim, mas é sincero. Penso que a poesia é o estado supremo da arte. ou seja: se uma obra, um quadro, por exemplo, se aproxima do que Longino chamava de subime, então aquilo é poesia. Da mesma forma uma letra de música. Tem música que é poesia pura, com ou sem letra. É poesia, viu? Ou não. Nada de poético. Poético, no máximo, é um ambiente, uma situação, uma pessoa... A poesia está no êxtase, somente no êxtase. É quando somos extraídos da pasmaceira dos dias por uma composição estética... é quando nos deparamos com uma obra de deus. Esse deus que respira, que pira, que trepa, que fala, que faz: o tal bicho-humano (bichumano) que somos ou pensamos ser. E isso independe das palavras. Aliás, a Poesia não depende das palavras. Nem dos poetas. Somos receptores desta experiência e não seus executores. Somos o "cavalo" dessa conjugação, dessa comunhão com o universo. Logicamente que não sigo nenhum pensamento lógico, nenhuma linha de pensamento. É muito particular isso. Não é novo, é apenas particular, íntimo... saca? Pelo menos pra mim. Afinal, só fazem 47 anos que penso assim. O que eu penso é o que eu venho acumulando (E eu só venho acumulando dúvidas), cada vez mais. Meu processo, mesmo que você e toda a torcida do Flamengo não queira, é intuitivo. Arranco pouca coisa dos livros. Não me interessam os conceitos tipo panelas prontas. Prefiro, quase sempre, não saber. Desconfiar, como desconfio que existo. Da forma como não sei o que é poesia - desconfio, apenas. E isso tudo está em conexão. É assim que eu vou caminhando por essa ilusão cronológica que chamam de vida. Da mesma forma, essas minhas "experiências transpoéticas"... Dentro de mim "é tudo índio, tudo parente". Tome Poesia Meu mano do peito, poeta Antônio Mariano, autor e executor do Tome Poesia, é uma figura de proa da cultura nordestina e brasileira. Ponto final. Famoso pra caralho Sexta-feira o poeta Fred Barbosa mandou uma matéria do Jornal Estado de São Paulo sobre o recital que houve dia 3 no Itaú Cultural, em Sampa. O recital teve o título do meu poema-hit, "Aos predadores da utopia". Caralho, meu nome tava lá! Putaquepariu! Então desliguei o computador e fui ao supermercado comprar pêssegos e farinha de cuscuz. Achei tão estranho! Ninguém me parou. Ninguém pediu autógrafos... São demais os perigos desta mídia A vocação do poeta não é estar na mídia. (Tem quem acredite o contrário.) A vocação do poeta é a memória sumindo na construção do verso chegado do vão, do oco, do nada... do que não sabemos onde, como, porque... A vocação do poeta é sentir que isso, mesmo quando em acelerado delírio, consegue produzir uma emoção que extrapola Tudo & Tudo SA. Escrever poemas é uma experiência muito além das palavras. Viu, Amador? A Igreja e o mundo Manchete do Jornal da Paraíba: ¿Dom Aldo critica a união estável dos homossexuais¿. Incrível, o Arcebispo da Paraíba é um árduo defensor dos que preferem a clandestinidade. Só pode! Não dá para engolir que a erudição católica desconheça o cotidiano do mundo. Não fazem leituras da realidade. Com todo respeito, Dom Aldo: tenha dó! Esse tipo de pensamento foi a alma da inquisição. ¿E que tudo mais vá pro inferno¿ (segundo Maiakovski e não Roberto Carlos) Como é bonito Baião Malandro, de Egberto Gismonte. Parede poética De16 a 23 de novembro, durante o Festival de Teatro Comunitário e Dança Contemporânea no SESC-Centro, em João Pessoa-PB, meus poemas estarão na Parede Poética. Aliás, a Parede Poética do SESC foi inaugurada comigo, em 1993, no lançamento de O Comício das Veias. comente: Quarta-feira, Novembro 03, 2004
OLGA BERTOGGOTS Eu digo-lhe, que já não são vãos os anos que vivi, nem inúteis os caminhos percorridos, ou sem objetivo tudo que ouvi. Não são imunes ao mundo, Nem são imaginariamente uma prenda de anos, os amores em vão também não foram, amores fraudulentos ou doentes, e sua luz limpa e imortal sempre em mim, sempre em mim. E nunca é tarde para de novo começar toda a vida, encetar o caminho, para que do passado ¿ nem uma palavra, nem um gemido seja destruído. (Antologia da poesia soviética-russa ¿ I, tradução direta do russo por Manuel Seabra, Livros Horizonte, 1984) Diagnóstico falho ? Será que poesia é mesmo um jogo de sete cabeças lá das bandas de Plutão? Será mesmo que o poema é fruto da exaustão? ? Será que o que dizem cérebro não é mesmo coração? ? Será que a vida enquanto morte, não é só decoração? ? Será que a poesia finca seus dedos na ação? ? Será que é literatura... ou não? Linguagem de-cantada Não trato as palavras como inimigas. Seja qual for a circunstância. Não vou torcê-las ao máximo grau do significado; até ficarem expelindo signos pela boca. Prefiro as palavras vivas, respirando os ares desse vão que tudo e nada é. Prefiro vê-las desordenadas, como se fossem milícias-dadá. Também por isso escrevo poemas. Poesia é guerrilha! Poesia é revolução. Poesia é subversão. Prefiro vê-las ¿ palavras - como objetos do caos... traduzindo perguntas que não sei responder. (Poemas nascem assim.) Cultura e leis de incentivo Não basta o projeto, enquanto peça burocrática, ser aprovado. É preciso que haja uma curadoria para medir a obra com critérios estéticos. Obras financiadas com recursos públicos devem ser destinadas ao povo. E o povo precisa conhecer a beleza para saber, também, que é belo. O povo merece qualidade. Portanto, ao invés de promover a vaidade de alguns gulosos e medíocres (ou não) artistas, as leis de incentivo deveriam financiar as melhores obras e oferecê-las, em sua grande parte, a seus verdadeiros donos: o povo. Roland Barthes ¿Para que esses sistemas falados cessem de enlouquecer ou ncomoda, não há outro meio exceto habitar um deles. Se não: e eu, e eu, o que é que estou fazendo no meio disso tudo?¿ (em O prazer do texto, Editora Perspectiva-SP. Tradução J. Guinsburg) Três poemas do meu primeiro livro voyeur debaixo das laranjeiras há um jeito de flagrar o amor das lagartas cobaia não existem feridas que não cicatrizem mas a marca funda de um olhar amargo dói como a dor de um bicho esmagado duelo de amor na solidão da jaula a onça pintada acena para a mosca que passa rente ao focinho desprevenido e num eco dos sentidos faz saber ao mundo que não mais está sozinha (O Comício das veias, Editora Idéia-PB, 1993) comente: |
O Autor
Lau Siqueira nasceu em Jaguarão,RS. Publicou três livros: O Comício das Veias
(Paraíba: Editora Idéia, 1993), O Guardador de Sorrisos (Paraíba: Editora Trema, 1998) e
Sem Meias Palavras (Paraíba: Editora Idéia, 2002). Tem poemas publicados nas
últimas edições do Livro da Tribo (São Paulo: Editora Tribo) e na
antologia Na Virada do Século — Poesia de Invenção no Brasil (São Paulo: Editora Landy, 2002),
organizada pelos poetas Frederico Barbosa e Cláudio Daniel.
Lau por Amador Ribeiro Neto Jornal da Poesia Livro da Tribo Germina Spam Zine PD - Literatura O Cisco Tonitruante Guia de Poesia Patife |
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