Poesia Sim - Lau Siqueira
Blog

Segunda-feira, Junho 27, 2005

BIRILO
Os cinéfilos de plantão, não podem perder de vista o blog da Ana Bárbara. Este é um espaço que mostra um pouco do cinema de qualidade que é feito aqui na Paraíba. Visite-o!

VÓ MERA
Ontem, no Centro Histórico de João Pessoa, um dos momentos mais emocionantes dos festejos juninos foi a Vó Mera cantando coco, ciranda, e uma juventude esperta e atenta dançando até suar o cangote.

PARRÁ, MANOEL SERAFIM, ZÉ DA EMA
Está certo que os shows de Dominguinhos, Maciel Salu, Flávio José e outros consagrados foram interessantes. Mas, Manoel Serafim e Zé da Ema são a alma do forró. E Parra, é a reencarnação de Jackson do Pandeiro. Aliás, Parrá fez um comentário humorado, mas triste: ¿Eu estava morto e vocês me desenterraram¿. É triste como nossos artistas populares são jogados no esquecimento.

RENATO CARUSO

A.C.

Quando há muito a se dizer
Acerca do mundo
A cerca do mundo se estreita
Na medida das palavras

A 9,8m/s²

Não há como escapar da gravidade
De cair cometendo o grave
Erro de um obje
Tivo vão
Pois
Não há como escapar do chão

JOVENS POETAS
Certamente que se Rilke tivesse conhecido poetas como Renato Caruso, seus conselhos tão pertinentes, teriam sido outros. Me encanta a precisão e a inquietação estética de poetas ainda muito jovens como Renato.

VERLAINE

O AMOR POR TERRA


O vento de outra noite pôs por terra o Amor
Que, num canto, o mais misterioso do parque,
Ria, brandindo malignamente seu arco,
E cuja face já fez muito sonhador!

O vento de outra noite o pôs por terra! O mármore
Rola, ao sopro da manhã, esparso. É triste
Ver esse pedestal, onde o nome do artista
Se lê, penosamente, sob sombras de árvores.

Oh! Como é triste ver de pé só o pedestal!
E vão e vêm melancólicas fantasias
Em meus sonhos onde uma tristeza sombria
Adivinha um porvir solitário e fatal.

Oh! Como é triste! E a ti certamente punge
Tal dolente quadro, apesar de teu frívolo
Olhar na borboleta, ouro e púrpura em vôo
Por sobre as ruínas que a alameda juncam.

(tradução de Paulo Toledo, poeta e ensaísta)



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Domingo, Junho 19, 2005

CARLOS BESEN
"Não se ensaia um cansaço: apenas a cabeça se evola pelo fundo do rio, anzol pendular do sono. O corpo devora o pó do dia, pólvora cuja implosão vai de plúmbeo a blecaute. Chumbo é ostentar a dança da queimadura sem arder. Devassado pela luz, mergulho adormecido no breu." Que melhor forma de apresentar o blog de Carlos Besen, se não com o seu próprio talento? Visite-o!

NO OLHO DA TRIBO
Estive, recentemente, comentando na comunidade Tribo Ethnus, acerca de uma provocação sobre tolerância feita pelo meu amigo Vant. Parte do comentário, transcrevo agora para o Poesia Sim.

TOLERÂNCIA
Voltaire tem um tratado interessante sobre a tolerância. Comprei esse livro quando estive namorando uma moça intolerante. Foi a melhor herança que ela me deixou. Mas, o que eu quero mesmo dizer é que a tolerância só é fundamental quando não é confundida com omissão. Melhor a tolerância refletida. A tolerância dos que pensam e não a dos que apenas aceitam. Admiro, principalmente, a tolerância na disputa. E não admito tolerância com a falta de respeito.

TOLERÂNCIA I
Tolerância é seguir em frente, acreditando sempre que o mundo só depende de nós para ser melhor. Organizar... assumir responsabilidades diante das circunstâncias que nos são postas, mergulhar no açude da criação (que é o nosso destino), sacudir a poeira, limpar o seco dos olhos... Tolerância é amar até o que desama e desafinar o coro dos contentes para um embate de idéias. O pensamento é o coração de quem sente.

TOLERÂNCIA II
Procuro ser tolerante comigo. Jamais complacente, jamais complacente... e que sejam bem vindas as diferenças, afinal, são elas que afirmam nosso caráter e desenham as fronteiras da nossa personalidade e dos nossos desalinhos.
Tolerância é subtrair o fato para observar o todo, o tudo, o sempre... Tolerância, repito, é um jeito de seguir em frente.

TEUS OLHOS NA NOITE

quando os vagalumes turvos
do teu olhar se perdem na penumbra
que circunda a cama e teu corpo feito
bailarina de estrelas circula em movimentos
mútuos sobre o meu corpo desnudo
abro os portais dos sentidos e tua presença
cavalga entre os meus joelhos e os bicos
mordidos dos meus peitos duros

como quem sabe a força dos trovões numa
tarde morna de chuvas densas
faço morada no teu útero e como um
jardineiro construo meus cantos

canteiros de amor

(escrito nesta manhã de domingo)

ANA LUÍSA AMARAL

Neste palco de sol
de repente
os teus lábios:
anjos caídos mas abençoando

Cada curva e tremura
dentro do nervo exacto
da memória

Por esses lábios
eu faria tudo:

rasgava-me de sangue
e inocência,
partia com as mãos vitrais
e estrelas,
desintegrava o sol

Já não anjos caídos
os teus lábios,
mas deuses transportados
pelos meus

(Anjos caídos, poema de Ana Luisa Amaral, poeta portuguesa contemporânea. Poema extraído da revista Inimigo Rumor, n 11, segundo semestre de 2001)


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Terça-feira, Junho 14, 2005

MALABIA
Federico Nogara edita uma revista virtual, em Barcelona, que é uma porta aberta para a nova Poesia Brasileira. Na última edição, mi hermanito Nogara se deu ao trabalho de traduzir unos poemas mios e latidos. Vejaí!

MEIA PATACA
Certa vez, o teatrólogo Fernando Teixeira me contou que, num reveillon do final dos anos sessenta, estava em Sampa, fodido, sem grana, doente... e viu um out-door onde estava escrito: ¿se vc quer que o Ano Novo seja diferente: mude!¿ E sua vida, a partir daquele instante, mudou.

PATACA E MEIA
Frases escritas em muro sempre me impressionaram. Nos anos setenta, uma frase pichada no muro da Faculdade de Medicina, em Porto Alegre, dizia assim: ¿Não quero mudar o príncipe, mas o princípio¿. E entre parênteses, logo abaixo: ¿Uma homenagem a Lee Oswald. Para quem não lembra, Lee Oswald foi o cara que atirou em John Kennedy.

POST BABACA
Confesso. Esse post ta meio babaca. Melhor finalizá-lo com poemas. Quiçá, poemas babacas.

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leminskiagem - II


passo pelo mundo
navegando uma coragem
que desconheço

sei lá de que lado está
meu avesso


leminskiagem - I


não tenho culpas
estou aqui de passagem

fui pego de surpresa
nesta viagem

LEMINSKI
Porque eu simplesmente adorava Cacaso.


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Sábado, Junho 11, 2005

ANA RÜSCHE - PALAVRAS E LUGARES
Visualmente bonito e com um conteúdo bastante interessante é o site de Ana Rüsche, Palavras e Lugares. Poemas, artigos, entrevistas e tudo que um bom site pode e deve ter. Vale a pena sair um instante do Poesia Sim, para andejar por caminhos onde as pétalas são palavras inclusas na palavra flor. Clica aqui!

PEDRO LUIZ E A PAREDE
Não gosto muito, mas respeito o trabalho de Ney Matogrosso. E principalmente o seu bom gosto. Ney sempre esteve acompanhado de bandas ótimas e repertórios bacanas. No CD, Vagabundo, ele vem com Pedro Luiz e a Parede. Assisti o show ontem. Fiquei impressionado com a parede sonora de Pedro Luiz. Fiquei querendo ver a banda, sem o contorcionismo visual e vocal de Ney Matogrosso.

E TONICO MANDOU O LIVRO
Quatro séculos depois da promessa, o poeta potiguar Antoniel Campos finalmente enviou "A esfera", seu livro lançado recentemente em Natal-RN. Tonico, para os íntimos, está linkado aqui no Poesia sim. Sugiro uma espiada no blog desse poeta, logo após a leitura do poema abaixo.

ANTONIEL CAMPOS

Do silêncio, o absoluto.
Do abandono, o completo.
A cor da roupa, a do luto.
De toda ausência, repleto.
Da indiferença, o dileto.
Do esquecimento, o usufruto.
Por companhia, meu vulto.
Cada sorriso, incompleto.
Não me pergunto ou me escuto
- negar é o meu dialeto.

(Inventário, poema do livro A Esfera, de Antoniel Campos, Plena Editora-RN, 2005)

TARCIANA PORTELA

o feijão, a terra bebeu
o milho nem se embonecou
para o são joão
a palma
espinhos a palma
da mão

(24 de junho, poema extraído do livro ¿Viúvas da seca¿, Edições Rebento-PE)

UMA SEMENTE SEMPRE BROTA
Não sei se é de ontem ou de hoje essa lembrança do futuro, esse monturo de coisas talhadas pelo invento. Vou caminhando como se meus passos estivessem acesos diante do silêncio e das sombras que se formam em torno de. Comungo com meus pesadelos as invernias da alma. E tudo se transforma em acidez e sonho outra vez.

OUTROS PÁSSAROS

quando nas manhãs de sol
os bem-te-vis revelam seus
cantos com os olhos de um
segredo

e em suas asas habitam os
duendes que não suprem
suas sedes com as sobras
do jardim

então um violino distante
invade a noite fria
e a solidão mostra seus dentes
amarelos-manga como um
filme que não tem fim

(ls - poema recente)


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Terça-feira, Junho 07, 2005

úbere mínima


coisa nenhuma - eu diria

quando as palavras chegam assim
tão minúsculas tão
envoltas em coisa nenhuma

artefatos apenas metáforas

onde Galileu e suas teses iniciais
sobre caminhos que se bifurcam
persiste na busca do que há
na zona de sombra do universo e
revela em imagem e som o ruído
das palavras

palavras minúsculas
envoltas em coisa nenhuma


ls


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Domingo, Junho 05, 2005

DORA LIMEIRA
Quando veio ao mundo meu segundo rebento literário, O guardador de sorrisos, pela editora Trema, pude conhecer melhor Dora Limeira. Naquela noite com cara de chuvosa, Dora invadiu o Pavilhão do Chá com o grupo Teatrália, recitando meus poemas. De lá para cá, tivemos muitos encontros, sempre eivados de arte. Prefaciei seu primeiro livro e agora assisto, seus vôos cada vez mais longos e belos. Vale a pena conhecer o site de Dora.

ANTÔNIO MARIANO
Um poeta que é, também, o maior agitador da literatura paraibana, criador do projeto Tome Poesia, da editora Trema... enfim, um poeta que pulsa na vida da cidade. Mariano está de livro novo. Foram dez anos de espera, mas Guarda-chuvas esquecido vem pela editora Lamparina-RJ, com distribuição nacional.

UM DOS GUARDA-CHUVAS

Copo de cerveja:
absinto passado a limpo
se nele me vejo

(poema de Antônio Mariano, no livro Guarda-chuvas esquecido)

POESIA SIM
Quando criei o blog Poesia Sim, o zine homônimo e esporádico já existia. Fotocopiado, o zine contava com não mais que exemplares, mas, era também uma oficina de Poesia que colocou meus poemas em diversos veículos. Agora, o blog Poesia Sim é um laboratório permanente de poesia & idéias. É aqui onde deposito minhas leituras, dos livros e do mundo.

O AMOR NOS TEMPOS DO PAPA
Talvez melhores dias possam vir na compreensão dos elos, na extensão do que somos enquanto pares do mesmo idílio. Por isso sigo eu, ensacado em tua pele, como um poeta interino... palhaço de mim mesmo no ofício das palavras.

EZRA POUND

Oh geração dos afetados consumados
e consumadamente deslocados,
Tenho visto pescadores em piqueniques ao sol,
Tenho-os visto, com suas famílias mal-amanhadas,
Tenho visto seus sorrisos transbordantes de dentes
e escutado seus risos desengraçados.
E eu sou mais feliz que vós,
E eles eram mais felizes do que eu;
E os peixes nadam no lago
e não possuem nem o que vestir.

(Saudação, poema de Ezra Pound traduzido por Mário Faustino)


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Quarta-feira, Junho 01, 2005

PAGU
Meu amigo Petrônio Souto indicou um site construído em homenagem a uma das grandes musas da eternidade: Patrícia Galvão - Pagu (para os íntimos, como eu). Uma mulher que marcou o seu tempo e fez da vida a sua grande obra. Vale o mergulho nesta personagem marcante da cultura brasileira. Visite o site do Centro de Estudos Pagu/UNISANTA!

PATRÍCIA MOREYRA
Nesta sexta, dia 3, às 19 horas a cantora e compositora Patrícia Moreira estará lançando o seu primeiro DVD na Casa de Cultura Lúcio Lins, em frente ao Hotel Globo, no Centro Histórico de João Pessoa. Patrícia realiza um apanhado da sua carreira, apresentando depoimentos de personagens da sua história musical e fragmentos de shows realizados na Europa e no Brasil. Ela também fará um show, onde estará apresentando algumas músicas do repertório do CD que está preparando e outras do CD Espelho.

IR E VIR
POR ENTRE AS PEDRAS


esses caminhos
por onde ando (nem sei
até quando) são reversos
do meu ócio

cada pedra cada cacto que
permanece enquanto sigo
guardam de mim um segredo

meus medos andam soltos
por entre os alambrados

como potros futuristas com
suas patas cambiantes
e olhos duros

minhas coragens todas
todas agrupadas em fila
dupla resistem

sempre

LANTERNINHA DE CINEMA
Já pensou entrar numa sala escura de cinema (o filme já iniciado) e ser conduzido por Patrícia Galvão? Calma, isso não poderá acontecer com você, que é muito jovem. Patrícia Galvão foi lanterninha de cinema na década de trinta. Mesmo eu que sou tão antigo, não lembro muito de vê-la por aqueles tempos. E agora, dizem que Patrícia Galvão morreu. Aliás, dizem que morreram todos os lanterninhas de cinema...

SOSSEGO BAND
Minha banda, que já foi de metal pesado, hoje apluma-se e voa. Quer voar no som dos pássaros... e aprendeu que os pássaros não cantam enquanto voam. Somente pousados, aprumados na aridez dos dias...
Minha banda que já usou guitarras mórbidas, bateras macambúzias e baixos astrais, hoje em dia traz a delicadeza dos pífanos e dos berimbaus para a nudez do amanhecer...

BOLA DE SEBO & CHICO
Há algum tempo reli o conto Bola de Sebo, de Maupassant. É a história de uma prostituta que salva sua aldeia trepando com o comandante de um exército invasor. A mesma história que Chico Buarque trouxe para a Ópera do Malandro, através da personagem Geni. Bom leitor do seu tempo, Chico soube traduzir suas leituras dos livros e do mundo, construindo uma obra que se confunde em Literatura e Música Popular Universal.

DEUS

fingiu que estava
criando o mundo
trabalhou seis dias
oito horas em dois turnos
salário de cento e oitenta
pregos
ornamentou noites
criou nuvens
e ventos
do barro fez a criatura
num sopro
o inventário das paisagens
uma vez pronta a maquete
exonerou-se
e ficou mudo
hoje
dies dominicu
reaparece com trezentas
mil faces midiáticas
(dizem que vive em tudo)

(Poema do livro Sem meias palavras, Editora Idéia-PB, 2002)


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